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Palhaçadas

Semana cheia de assuntos importantes, mas um deles me parece urgentíssimo: as eleições e a mídia, duas coisas ainda selvagens no Brasil. Segundo estudiosos e analistas, nossa democracia está “em formação”, por isso tanta instabilidade política. Uma hora, inventa-se a reeleição. Em outra, altera-se a duração do mandato. Uns querem implantar o voto distrital, outros lutam para aumentar as disparidades e oportunismos. Os partidos não representam ideologias nem posicionamentos políticos, apenas agrupamentos de interesses. Financiamentos de campanhas? Dirija-se ao caixa 2. No meio dessa mixórdia, caminha a violência. Este ano, insuflada pela mídia, a turba da classe média está mais agressiva do que nunca. Vejo alguns bacanas que em vez de colarem nos carros a propaganda de seus candidatos, colam xingamentos e gritos de “fora”. Ou seja, não defendem candidaturas – preferem atacá-las, de preferência com raiva, não com humor e ironia. Um dos mais atacados é o itapipoquense Francisco Everardo Oliveira Silva, um dos vinte melhores deputados do país – segundo apuração da Câmara. Francisco é um empresário bem sucedido, pai de família amoroso, com inteligência acima da média, honesto e sincero, mas enfrenta o velho ódio social que nossas elites tem dos pobres e de tudo o que é popular. Por causa de seu personagem Tiririca, é xingado de palhaço e tratado com desprezo. Mesmo tendo a segunda maior votação da história, a mídia tentou impedir sua posse. Em vão. Agora, tentam denegrir seu mandato impecável e ridicularizar sua reeleição. Também em vão. Tudo indica que Francisco Everardo vai ser novamente eleito, mais uma vez com votação expressiva, mostrando que se depender dele, pior do que tá não fica.

Isso poderia servir de lição para a grande imprensa, se ela tivesse humildade para aprender alguma lição. Como nossa democracia, a grande imprensa brasileira também está “em formação”. Precisa deixar de ser arrogante, prepotente, de achar-se infalível, superior aos cidadãos comuns e acima da lei. Em países com democracias maduras, a propriedade da mídia é regulada, assim como são regulados seus deveres e sua transparência. Um jornal não pode ter uma TV, ou uma rádio, e vice-versa. O objetivo é proteger a democracia, pulverizando a propriedade da comunicação, para garantir a diversidade de vozes e idéias, também conhecida como liberdade de expressão. Em nome da transparência, os veículos são obrigados a declarar suas simpatias eleitorais, e não podem fingir que são “independentes” ou “isentos” – porque nas democracias maduras todos sabem que isso não existe. No Brasil, somente a revista Carta Capital declara seus apoios eleitorais. Os demais se esforçam para disfarçar suas preferências, com o duplo objetivo de favorecer os preferidos, e ganhar credibilidade para atacar desafetos. Os malabarismos para engazopar o leitor não tem limites. Os mais comuns são as fotos: grotescas para os inimigos, bonitas para os amigos. Algumas peripécias beiram o ridículo e são hilárias. Esta semana, por exemplo, uma folha de São Paulo mostrou que protegido seu não cai nas pesquisas: apenas “oscila”. No máximo, dizia o texto, “oscila negativamente”.

Fiquei de queixo oscilado negativamente com tanta magia linguística. Depois entreguei-me às gargalhadas e pensei feito Brecht: o que é a piada de um Tiririca, comparada às palhaçadas de um jornalão?

2 respostas
  1. Raoni Rossi
    Raoni Rossi says:

    Ótima crônica Cezinha. Penso o mesmo. A única revista que leio atualmente é o Le Monde Diplomatique. Jornal? Nenhum. Saudades do Pasquim.

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    • Lidia Guerlenda
      Lidia Guerlenda says:

      César, em relação ao Tiririca, discordo totalmente de você. Fez e faz uma campanha que não respeita o eleitor e aposta na valorização da ignorância….nesta inclusive, flerta com os poderosos, até “o Rei” votou nele e justifica “os podres” de Brasilia, onde “os deputados trabalham muito mas produzem pouco”. Me poupe deste e de outros oportunistas, aliás, financiado pelo Friboi…

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